São Paulo

Outro dia alguém comentou que o Centro de São Paulo está um lixo. Essa mesma pessoa culpou o poder público por ter permitido, segundo ele, que o centro da maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo, fosse paulatinamente invadido por “vagabundos e bandidos”.

Antes de começar a expor meus parcos argumentos pra demonstrar os motivos que me fizeram, primeiro, discutir com a pessoa que disse os despautérios acima, segundo, escrever esse texto, preciso dizer também que não concordo que a cidade “nada mais é do que nossa percepção sobre ela”. A cidade, do meu ponto de vista, é o que é. E São Paulo é um milhão de coisas. É suja sim, ele estava certo nisso, mas diferentemente dele, não vejo essa sujeira como algo ruim. Não, não acho ótimo, é claro que não, mas acho natural que uma cidade do tamanho de São Paulo não seja “limpinha”. Além disso, que limpeza é essa que as pessoas que têm medo ou asco do Centro querem???

Hoje, no aniversário da cidade, andei por várias ruas do centro com minha filha de 5 anos à tiracolo. Ela, como eu, adora explorar lugares novos ou velhos conhecidos da gente. Nada me assustou na cidade. Nada me surpreendeu. Minto, a cena em frente o Teatro Municipal, em que dezenas de pessoas, debaixo de um sol escaldante, formaram filas para provarem a comida gourmet de algum chef renomado que tem restaurante da Vila Madalena ou nos Jardins me surpreendeu, mas essa só sou eu sendo arrogante e achando que posso julgar a fila que cada um enfrenta nessa cidade repleta de filas para todos os lados.

Enfim, a São Paulo que vi é a São Paulo que gosto, que respeito, que me interesso e que está cada vez mais bacana, porque hoje, diferente de ontem, está mais ocupada por aqueles que têm direito à ela. Prédios e mais prédios com faixas do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) ou do FLM (Frente de Luta por Moradia), que ocupam os espaços vazios deixados pelo Capital para a especulação imobiliária.

São Paulo não é suja, São Paulo é real, pulsante, viva num nível emocionante para qualquer cidadão isento daquela miopia pequeno burguesa, higienista e reacionária, em que não aceita aquilo/aqueles que não conhece.

Te amo, São Paulo, e espero viver pra ver os trabalhadores do Centro deixando de pegar ônibus para “viajar” para os bairros periféricos, para viverem, finalmente, na cidade que eles construíram e continuam construindo ao invés de ver essa São Paulo que empurra, cada vez pra mais longe, as pessoas que não têm condição de pagar os preços absurdos impostos por essa tal especulação imobiliária sem fim.

Ocupem São Paulo sim!

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