Ser Mãe

Reflexão rápida após concluir o óbvio do meu dia de dúvidas, aflições, gastos demais e um fundinho de esperança, do verbo esperançar, não esperar, como diria o sábio, de que algum dia a coisa toda vai ficar mais fácil ou pelo menos menos pesada para aqueles que não conseguem viver sem pensar em todos os pormenores da vida.

Quando me pergunto do que eu tenho medo, do que eu realmente tenho medo, a resposta é quase instantânea: não tenho medo de nada!

Mas quando mudo a pergunto para: com relação a Aninha, você tem medo de que? Nessa hora a Regina Duarte baixa em mim e sinto medo de TUDO. Motivos? Nenhum aparente, mas tenho medo. Medo de fazer menos do que ela merece. Medo de fazer menos do que eu mereço como mãe. Menos de fazer menos do que as pessoas esperam de mim. Medo de fazer menos do que eu espero de mim. Medo dela crescer achando que eu fiz menos do que poderia ter feito. Medo. Medo. Medo.

Milito pela escola pública, mas matriculo minha filha numa escola particular. Medo!
Milito pelo sistema único de saúde, mas minha filha tem convênio (eu não tenho). Medo!
Milito pelo uso da cidade, mas tenho medo de ir a certos lugares com ela. Medo!
Milito pelo fim da diferenças de classes, mas, ao protegê-la do meu medo, a coloco numa redoma que impede que ela conviva com a diversidade. Medo!

Não me julguem, mas se der, me abracem!

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